ANETE DE LOURDES BLEFARI - CRT 39435
Terapeuta Holística

E agora, o que é que eu faço?

Dependência Química
Postado por ANETE DE LOURDES BLEFARI (39435) em 06/05/2010 às 15:04
Artigos & Novidades >> Dependência Química

E... agora? O que é que eu faço??
Meu dependente químico parou de usar!
 
O título acima parece exagero, mas não é. É até comum alguns codependentes, pessoas que controlam a vida de outras pessoas, se depararem com esta questão: “não sei o que fazer... antes eu vivia atrás dele,...controlava sua vida... e agora, o que é que eu faço”?  Trata-se de uma dura realidade para o codependente que está  “viciado” em controlar a vida do dependente químico ou do abusador de drogas e não aprendeu a olhar para si mesmo e cuidar de suas necessidades. Os codependentes podem ser membros da família, amigos, chefes e/ou profissionais, que podem se encontrar, inesperadamente, em uma situação até então inusitada e, ficam sem ação. Não sabem, na verdade, o que fazer, pois a situação problema não mais existe em sua rotina diária. Como os codependentes vivem em função dos outros, fazem destes a razão única de sua alegria e bem-estar. São pessoas que apresentam um quadro de baixa auto-estima e culpa. Esquecem-se, frequentemente, de si mesmos, se auto-anulando e fazendo de tudo para ajudar outras pessoas. A codependência é uma síndrome emocional, com sintomas como: culpa, ansiedade, angústia, raiva, depressão, etc... Essa síndrome, como a doença da dependência química, também, pode ser fatal, causando morte por depressão, suicídio, assassinato, câncer e outros. Muitas vezes, ela é o agente desencadeante de doenças muito sérias. Por isso, o atendimento a dependentes químicos deve incluir a família. A família deve buscar orientação e esclarecimentos para que mude seus comportamentos facilitadores que geram patologias. Quando aparece um dependente químico na família, costumamos dizer que ele  (dependente químico) é um “sintoma” da doença familiar. Essa fala não significa que a família seja culpada pela doença do outro. A família não causou, não pode controlar e não pode curar a doença do outro. Esta questão não é bem compreendida e traz uma série de confusão e conclusões distorcidas da realidade. Sabemos que não é fácil obter esse entendimento sem a manifestação de sentimentos de culpa, raiva e negação, mas, atualmente, dispomos de diversas literaturas sobre o assunto e de grupos para familiares de dependentes químicos. Os grupos para familiares podem propiciar a conscientização sobre a doença e a liberdade emocional do codependente. A família vai aprender, por exemplo, que a disfunção familiar aparece em pais que não conseguem exercer seus papéis adequadamente. Existem fatores que podem contribuir para o surgimento da dependência química na família são eles: 1. falta de amor (desde o bebê, que não é tratado com cuidado e na sequência de sua vida, que pode gerar conflitos e danos em sua saúde mental). 2. Fragilidade do grupo familiar, onde os pais, ou quem estiver neste papel, não exercem sua autoridade natural, para colocar regras mínimas e limites necessários para contenção do indivíduo. 3. dinâmica pré-adictiva: onde a dinâmica familiar revela uma dificuldade dos pais em colocar limites claros, o que ocasiona mensagens de duplo sentido, contraditórias e prejudiciais à compreensão dos valores. Temos como exemplo o clássico: “faça o que eu digo, mas não o que eu faço”, como no caso do pai ou mãe que bebe, fuma, ingere sedativos e briga com o filho para não fumar maconha. Essa dinâmica pode gerar comportamentos antisociais e compulsões das mais diversas categorias. Ao contrário, em famílias saudáveis há regras claras para os limites, para o que os pais gostam e não gostam.  Os pais expressam livremente suas necessidades e sentimentos; discordam abertamente; não são perfeitos e não exigem perfeição das crianças. As crianças aprendem que podem cometer erros, e são esperadas as reparações por qualquer dano causado e, após isso, devem aprender com a experiência. Percebemos, assim, que a família tem muito a aprender, a se conscientizar e se reorganizar para a transformação de sua dinâmica, de disfuncional para funcional (saudável). O caminho é buscar ajuda especializada, informações sobre dependência química e codependência, ler livros sobre os temas, freqüentar reuniões para familiares de dependentes químicos e viver e deixar o outro crescer aprendendo com seus erros e acertos. Muita paz e AÇÃO!
 
Anete L. Blefari
 
 

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