ANETE DE LOURDES BLEFARI - CRT 39435
Terapeuta Holística

Dependência Química e família

Dependência Química
Postado por ANETE DE LOURDES BLEFARI (39435) em 27/05/2009 às 17:45
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Dependência química e família: um círculo vicioso a ser compreendido

Os familiares tornam-se confusos ao se depararem com a doença da dependência química. A pessoa mais próxima precisa de mais assistência e orientação do que o próprio usuário ou dependente químico. O impacto da doença da dependência química nos familiares é muito intenso. As emoções tornam-se distorcidas e consequentemente a interação entre família e usuário ou dependente se torna destrutiva. Os familiares mais chegados sentem-se culpados pelas dificuldades do usuário ou dependente e isto pode gerar medo diante da possibilidade de que esta culpa seja verdadeira. O desconhecimento sobre a doença da dependência química impossibilita uma atitude construtiva diante da realidade e resulta em comportamentos inadequados, por parte da família, com a melhor das boas intenções. Ninguém é responsável pela dependência de drogas de outra pessoa ou pela sua recuperação. A ignorância sobre a doença acaba facilitando o desenvolvimento da progressão da mesma e contribuindo para que o tratamento seja evitado. As pessoas não podem “tratar” a doença. A melhor forma para ajudar na recuperação é eliminar a ignorância. Obtendo a compreensão do problema e com coragem, o familiar pode tomar atitudes adequadas que possibilitam ao dependente pedir ajuda para se recuperar. Os problemas da dependência não estão nas substâncias psicoativas, mas nas pessoas que a usam. Recuperação é o completo afastamento de qualquer droga alteradora da mente, inclusive o álcool, que, também, é droga. Não adianta a fuga geográfica, por exemplo, mudando de bairro ou cidade. A questão é interna e deve assim ser encarada.  Ninguém pode fazer pelo dependente aquilo que compete a ele fazer. Opções e decisões devem ser feitas e tomadas pelo próprio dependente, por sua vontade própria, para que sua recuperação seja fundamentada em bases seguras e permanentes.

O dependente químico controla a família. A família briga, grita, reza, ameaça, mas, também, encobre, protege e defende o dependente químico das conseqüências do uso de drogas. O dependente químico tem a habilidade de provocar raiva e ansiedade em sua família. Quando os familiares reagem com raiva ou perda de controle das emoções, o dependente sente-se justificado pelo abuso e arruma desculpas para voltar a usar. Com a ansiedade presente na família, o dependente escapa das conseqüências de seu abuso de drogas. Os familiares o protegem das conseqüências de suas ações, encobrindo, protegendo e proporcionando espaços para que ele se destrua. Um exemplo, quando o familiar paga alguma dívida do dependente, com medo de qualquer tipo de ameaça, alivia a ansiedade, porém entra num padrão de comportamento em que se torna refém das ações do dependente. Assim, a família soluciona os problemas do dependente, isentando-o das conseqüências danosas de seus atos. Ele aprende que a família vai salvá-lo. Nem o dependente e nem os familiares, afetados emocionalmente, tem condições de perceber e enfrentar a realidade. Este comportamento torna-se um círculo vicioso. A família paga uma dívida que o dependente deveria pagar e isto gera nele (dependente) um sentimento de culpa e fracasso permanente. Este processo aumenta o sentimento de hostilidade e condenação da família. O amor é destruído. O dependente usa drogas para anestesiar a dor e aprende a usar a família para fugir das conseqüências dolorosas do uso. A família sofre quando o dependente usa drogas e sofre, também, pelas conseqüências dolorosas. O caminho saudável é a família buscar ajuda profissional ou em grupos para familiares: o Grupo Reviver (www.centroacaminhodaluz.com.br), Naranon, Amor Exigente ou Alanon. Com ajuda especializada, a família pode compreender a dinâmica disfuncional e aprender a colocar em prática as estratégias para a recuperação familiar. Lembre-se dos três “Cs”: você não causou o problema do outro, você não pode controlar e você não pode curar. Leia livros sobre codependência. O familiar deve voltar o olhar para si mesmo, aprender a superar a sua dor e, então, ver o dependente com compaixão. Compaixão é suportar com, ou sofrer com a pessoa, e não sofrer pelo desejo de não sofrer da outra pessoa. Este é o único meio de o amor subsistir e estacionar a dinâmica insana desse círculo vicioso. Uma mensagem com carinho: busque ajuda especializada, cuide de sua dor para poder ajudar seu dependente.
 

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